Em sua primeira reunião após a prisão do ex-presidente Lula, a cúpula do PT vai reafirmar, nesta segunda-feira (9), a candidatura do petista ao Palácio do Planalto. Durante o encontro, em Curitiba, a direção do partido vai discutir estratégias de mobilização e articulação política na ausência de sua principal liderança. Também vai definir o tom a ser adotado nas críticas à Justiça, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF).
Dirigentes da legenda defendem que Lula continue a orientar os rumos da sigla mesmo preso na Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense. Antes de se entregar à PF, Lula reforçou o papel da presidente do partido, a senadora Gleisi Hoffmann (PR), ao indicá-la como sua porta-voz.

Com a indicação de Gleisi, o ex-presidente tenta conter as divisões internas no PT, já explicitadas durante o processo que resultou em sua apresentação aos policiais federais. Eleita presidente com o apoio de Lula, a senadora faz parte da ala que defende a manutenção dos ataques ao Supremo. Outro grupo, do qual faz parte do ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, sugere a adoção de um tom mais moderado, com receio de que os ataques possam ser retaliados pelo Judiciário.

O PT pretende manter a militância mobilizada em Curitiba, com atos políticos, artísticos e cívicos. Ontem a segurança foi reforçada no lado de fora do prédio da Polícia Federal devido à presença de militantes petistas e manifestantes favoráveis à prisão de Lula.

Somente nesta segunda-feira o PT saberá quem estará autorizado a visitar o ex-presidente na prisão. O partido vai designar emissários para ouvi-lo sobre estratégia de alianças e sucessão presidencial. Já a estratégia de atuação no Congresso será discutida pelas bancadas na Câmara e no Senado nesta terça-feira (10). Em seu primeiro dia na prisão, Lula recebeu a visita do advogado Cristiano Zanin Martins e assistiu à final do Campeonato Paulista, vencido pelo Corinthians, clube do qual o ex-presidente é torcedor.